Escola Dinâmica é pioneira em educação inclusiva
Rede SACI
São Paulo-SP, 08/09/2004
Localizada em Taubaté, interior de São Paulo, a escola pratica a inclusão desde sua fundação e atende alunos com deficiência de diversas cidades da região
André Tristão
TAUBATÉ/SP - A educação inclusiva já estava nos planos da escola desde sua abertura, em 1975, na cidade de Taubaté. Trabalhando com uma sala, o objetivo inicial era a integração social das pessoas com deficiência, tirando-as do mundo segregado em que viviam. Em 1976, a Escola Dinâmica Alice Nader Zarzur foi pioneira na implantação da reabilitação auditiva, baseada em um método iugoslavo centrado na oralidade. O pioneirismo continuou em 1978, quando a escola decidiu partir para a verdadeira inclusão, colocando as pessoas com deficiência dentro das salas de ensino regular. A vontade de incluir deu à escola um caráter único em sua região, atendendo alunos com deficiência de diversas cidades ao redor.
Inclusão
Hoje a escola conta com 40 alunos com deficiência em suas salas de aulas. Após serem diagnosticados por médicos e psicólogos, as crianças encontram na Dinâmica um espaço para o convívio e aprendizado com pessoas ditas normais. A escola exige, porém, que seus alunos sigam com seus tratamentos psicológicos, fisioterapêuticos, médicos e fonoaudiológicos. "A escola não tem condições de tratar as deficiências, mas somente de oferecer acompanhamento para que o aluno tenha condições de aprendizado", conta a fonoaudióloga Vera Lúcia. A única exigência da escola para aceitar seus novos alunos especiais é que eles tenha condições de se tornarem alunos. Vera Lúcia diz que para isso, ao aluno tem que conseguir reconhecer a figura do professor, assimilar a idéia de tempo, de obrigações e de espaço. Preenchendo esse requisito, a escola acolhe pessoas com qualquer tipo de deficiência. "Não que a gente não queira aceitar, mas não podemos dar tratamento clínico aos alunos, só auxílio pedagógico", justifica Vera.
Vivência
O cotidiano dos alunos com deficiência não é muito diferente do de seus colegas. Os espaços são compartilhados por todos, que tomam lanche e tem aulas de educação física juntos. O que ocorre é que alguns dos alunos com deficiência precisam de "momentos pedagógicos", como diz Vera Lúcia, antes das atividades com seus colegas. Isso serve para que eles consigam acompanhar as atividades de maneira otimizada. Além das atividades em conjunto, o currículo da escola é o mesmo para todos os alunos. Os alunos com deficiência aprendem o mesmo que seus colegas, porém recebem acompanhamento diário para reforçar o que foi aprendido em sala. "Acontece que alguns precisam de um tempo maior para assimilar as coisas. Ou então os deficientes auditivos, que perdem muitas coisas durante a explicação, e no reforço a gente passa as coisas mais detalhadamente para eles", diz Vera.
Acessibilidade
Além do reforço durante a tarde, os alunos recebem todo o apoio de acordo com suas dificuldades. A escola conta com material didático ampliado para os alunos com dificuldades visuais , além de ser plenamente adaptada para o acesso de cadeirantes. Os banheiros são espaçosos e há rampas para acessar toda a escola. Há também a preocupação com os profissionais da escola, que participam mensalmente de cursos de reciclagem abordando a deficiência, que Vera Lúcia define como essenciais: "A escola precisa dar suporte para os funcionários e professores para bem atender aos alunos com deficiência". Mas o principal método adotado na escola é o afeto entre os alunos e o pessoal da escola. "A inclusão não é difícil. Basta abrir o coração para aceitar as diferenças e assim buscar saídas", resume Vera Lúcia.
Oficina de Mães
"A maioria dos nossos alunos especiais é carente, e 90% são bolsistas", afirma Vera Lúcia. A escola oferece a esses alunos bolsas de estudos equivalentes a 50% do valor da mensalidade, mas mesmo assim, alguns pais têm dificuldades quanto ao pagamento. Assim surgiu a idéia da "Oficina de Mães", realizada semanalmente na Dinâmica. As mães se encontram para produzir peças de artesanato que são vendidas e os fundos arrecadados são revertidos para a manutenção dos alunos mais carentes. Além do dinheiro, a oficina serve como terapia para as mães, que têm um espaço para a troca de experiências relativas a deficiência.
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