Mais uma opção de informação para deficientes visuais
FCL - Grupo de Cidadania Empresarial
São Paulo - SP, 10/11/2006
Projeto de serviço de leitura gratuita de jornais para cegos e para pessoas com outros tipos de necessidades da visão vem sendo estudado e experimentado na Faculdade Cásper Líbero
Comentário SACI: Artigo publicado na edição de outubro de 2006 do boletim Cidadania
Pedro Vaz
O rádio, veículo com produção voltada para os ouvidos, tem importância fundamental para portadores de necessidades especiais da visão. Naturalmente, o meio radiofônico trabalha com linguagem descritiva, que recria retratos sonoros, pela ausência de recursos de fotos e imagens. Mas será que somente a programação jornalística do rádio satisfaz a necessidade de informação da pessoa que não pode enxergar? A resposta a esta questão é negativa, quando se conversa com quem tem propriedade sobre o assunto.
Aos 87 anos de idade, Dona Dorina Nowill, presidente emérita e vitalícia da Fundação Dorina Nowill para Cegos, criada há 60 anos, reclama a falta de um sistema de comunicação para deficientes visuais: "O cego não tem acesso aos conteúdos de jornais impressos diários. Não é fácil conseguir que pessoas leiam artigos de jornais para a pessoa cega. Há anos eu venho tentando obter isso de alguma forma", declara Dona Dorina, como é chamada.
Nascida em São Paulo, capital, Dorina de Gouvêa Nowill perdeu a visão aos 17 anos de idade, mas continuou com o hábito da leitura. Sempre contou com o trabalho de ledores - pessoa que lê para o cego. Os editoriais dos jornais diários são os preferidos dessa mulher que já viajou por quase todos os países, fala com fluência cinco idiomas, especializou-se em questões relacionadas à deficiência física nos Estados Unidos e se orgulha de ter sido professora primária.
Defensora da cidadania, ela destaca: "É muito importante que o cidadão conheça várias opiniões. Se ele vai votar, para ser cidadão, precisa conhecer várias opiniões e não uma só". Quanto ao rádio, não se trata aqui do desmerecimento do jornalismo radiofônico, mas o portador de deficiência visual tem de se submeter aos horários dos programas jornalísticos, não sendo possível a este a escolha de um horário que seja conveniente para obter informações, como acontece com a maioria dos cidadãos.
Após um encontro da equipe da Rádio Universitária da Faculdade Cásper Líbero, em julho de 2005, com Dona Dorina, surgiu a idéia de desenvolver um serviço de leitura gratuita de jornais para cegos e para pessoas com outros tipos de necessidades da visão. Este projeto vem sendo estudado e experimentado na faculdade.
O trabalho consiste na seleção e leitura diária de matérias de jornais impressos, iniciado no período da manhã, por uma voz feminina e outra masculina. Em seguida, esta locução é disponibilizada num sistema telefônico e, simultaneamente, numa versão on line. Assim, o usuário, através da ligação telefônica, recebe instruções por um menu, que permite a escolha do artigo a ser ouvido via comando de voz. O tempo de escuta também é informado.
Após uma pesquisa, foi concluída a viabilidade deste projeto pelo fato de ser possível a adaptação de "viva voz" ao aparelho telefônico, permitindo que o deficiente visual ouça as notícias como no rádio. Já na versão on line da leitura, questiona-se a carência da inclusão digital. Atualmente, sabe-se da existência de jornais que apresentam aos assinantes a opção de ouvir os conteúdos pelo computador, mas como toda a assinatura de periódico, o serviço é pago. São conhecidos também softwares de computador que geram locuções precisas de textos selecionados, através de banco de sons.
O projeto ainda destaca a inexistência no país de um serviço de descrição de imagens, nos casos dos programas de televisão, das produções de teatro, cinema e das exposições.
Pedro Vaz é professor de Radiojornalismo da Faculdade Cásper Líbero
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