Antônia Yamashita
Sentidos - A inclusão social da pessoa com deficiência
15/02/2007
Sem polêmicas, escreveu um livro para falar de forma sincera, como é ter um filho com deficiência e se a sociedade está preparada para isso
Comentário SACI: Notícia do dia 29/01/2007
Adriana Perri
Antônia Yamashita foi para a maternidade há seis anos com as expectativas normais de qualquer mãe ao ter seu primeiro filho. Ela tinha 18 anos na época e o inesperado aconteceu. Seu filho, Lucas, teve falta de oxigenação durante o nascimento e sofreu uma paralisia cerebral.
Do susto à realidade, Antônia se dedicou integralmente a Lucas deixando de lado até mesmo a faculdade de Direito que iniciava. Passado o tempo e com muitos aprendizados, ela resolveu dividir a sua trajetória como mãe de uma criança com deficiência na sociedade atual, ainda marcada por paradigmas e preconceitos. A Trajetória de Uma Mãe Especial fala com simplicidade das diferenças. E tenta responder, com sinceridade e baseada em suas vivências, se a sociedade está preparada para conviver com pessoas com algum tipo de deficiência. "O livro é mais um estímulo para as pessoas, tendo em vista as dificuldades que todos enfrentamos no mundo de hoje."
O Lucas completou 6 anos em dezembro. As paralisia cerebral deixou seqüelas: tetraplegia espástica, que significa perda dos movimentos do pescoço pra baixo e músculos tensos. "Ele apresenta uma certa imaturidade para a sua idade, mas demonstra sinais de boa memória e aprende tudo. É apenas mais lento o seu aprendizado dependendo de muita estimulação", conta.
Além do livro, lançado em novembro de2006, Antônia ainda fundou na mesma ocasião, junto com o marido, a Associação dos Amigos Especiais, com a missão de "ajudar as pessoas que sofrem com os mesmos problemas." Ela conta que ainda estão lutando para conseguir pôr em pratica o projeto. "Infelizmente em nosso país a falta de informação é um fator que nos afeta seriamente, pois quanto mais se demora em saber do problema mais vai demorar o tratamento da criança. E isso tem um prazo, as crianças precisam ser estimuladas no momento certo. Quanto antes começar o processo de estimulação mais chances terá de se recuperar. Após uma certa idade as chances são bem menores."
A associação busca profissionais e pais que queiram auxiliar na tarefa de construir um banco de dados com informações sobre a realidade das crianças que sofrem algum tipo de trauma ao nascimento. "Queremos informar sobre a importância do tratamento precoce e mostrar que não é o fim do mundo ter uma criança com algum tipo de seqüela. Também que é possível sua recuperação e a importância desta criança dentro das nossas vidas. Além disso, oferecer um apoio quando a família se sentir insegura em relação a criança especial."
Lucas tinha apenas 6 meses quando Antônia procurou uma instituição para dar início á reabilitação. "Hoje o Lucas não faz tratamento de reabilitação. Seu desenvolvimento de certa forma já chegou no limite. As chances de evolução na parte motora são nulas, eu diria. Sua alta foi em janeiro de 2006 e se deu também ao fato de sua saúde fragilizada."
Segundo Antônia, o tratamento de reabilitação foi global: fisioterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, fono-disfagia e fono-linguagem. Também participava de grupos que preparavam para inclusão na escola e o convívio social com psicólogas e pedagogas. Além do tratamento médico multidisciplinar com especialistas: pediatra, nefrologista, gastro, oftalmologista, otorrinolaringologista, neurologista e neurocirurgião.
Depois da reabilitação, no segundo semestre de 2005, Lucas começou a freqüentar a escola. Para Antônia, a idéia de crianças especiais em rede regular é ótima, desde que a escola esteja preparada para recebê-las. "Quando falo em preparada é mais no sentido de aceitar a criança nas condições em que ela se encontra. Os profissionais que irão conviver com esta criança precisam estar aptos a lhe oferecer principalmente amor e carinho. As crianças especiais sentem muito o que está em sua volta e se o profissional não está bem resolvido pra lidar com o aluno especial, este irá perceber e com certeza não se sentirá bem, dificultando qualquer aprendizado. Já tive experiência própria: quando o professor não lhe transmite esse sentimento bom de carinho a criança não se envolve e não consegue aprender."
Para quem quiser adquirir o livro, acesse: www.umamaeespecial.com.br
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